Porque o álcool pega fogo?

Porque ele é rico em hidrogênio, elemento químico que tende a se juntar com o oxigênio do ar para formar água. Esse processo de união é fundamental para alimentar as chamas. “Para uma substância pegar fogo, sua reação com o oxigênio tem que liberar energia”, afirma o químico Claudio di Vitta, da USP. E é exatamente isso que ocorre no casamento entre o hidrogênio e o oxigênio. Agora, o que explica o fato de o álcool inflamar com tamanha facilidade é outra característica: basta a temperatura ambiente para fazê-lo evaporar. “Com o combustível na forma de vapor, a mistura com o oxigênio do ar é muito mais efetiva e a combustão ocorre com maior rapidez”, diz o químico Flávio Maron Vichi, também da USP. Aliás, foi justamente por isso que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, órgão vinculado ao Ministério da Saúde, em Brasília, proibiu a venda de álcool líquido em supermercados no início do ano, visando diminuir acidentes com queimaduras.

Hoje, só o álcool em forma de gel está liberado. “Como não evapora tanto, é bem menos inflamável”, afirma Flávio.

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O que tem no centro da lua?

O mais provável é que seja ferro, como no centro da Terra – mas com uma diferença: o núcleo lunar é proporcionalmente bem menor, correspondendo a apenas 2% da massa do satélite. (Para ter uma ideia  o do nosso planeta equivale a 30%.) Claro que nenhuma sonda perfurou a Lua para nos trazer essa informação lá do fundo. “São os dados sobre o seu campo gravitacional que nos dão 90% de certeza de que seu núcleo é formado por um metal denso. No caso, ferro puro ou misturado com enxofre”, diz o geofísico Lon Hood, da Universidade do Arizona, Estados Unidos, responsável por algumas das mais recentes investigações sobre o assunto para a Nasa. Mas para que serviria vasculhar o centro da Lua? Simplesmente para solucionar um mistério astronômico bem maior: a própria origem do nosso satélite.

Se ele tivesse nascido junto com a Terra – da mesma nuvem de matéria, como reza uma das teorias sobre o assunto -, seus núcleos deveriam ter a mesma proporção de ferro. Mas já descobrimos que isso não acontece. Assim, fica reforçada outra tese: a de que a Lua surgiu de estilhaços da Terra. Nosso planeta teria sido atingido em cheio por um objeto maior do que Marte (!), há cerca de quatro bilhões de anos. A gigantesca nuvem de poeira levantada pelo desastre teria se aglutinado, formando o satélite. Como o grosso desse pó seria das partes mais superficiais da Terra, que contêm pouco ferro, ficaria esclarecida a razão de a Lua ser tão pobre nesse metal.

Porque sempre se vê a mesma face da lua?

É preciso levar em conta um fenômeno muito conhecido, mas pouco compreendido: o efeito maré. Por incrível que pareça, ele não ocorre só nos oceanos. A atração entre os corpos celestes também é forte o suficiente para deformar a parte sólida do planeta. “Como a força gravitacional diminui com a distância, a Terra sofre uma atração maior da Lua do que do Sol. Além disso, a atração na Terra é mais forte na parte do planeta que está próxima à Lua. Essa diferença provoca as marés”, diz o astrônomo Charles Bonatto, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). A mesma diferença fez a Lua ficar ligeiramente oval. Isso dificulta a rotação: a distribuição de massa desigual gera forças que acabam freando o movimento. O resultado é que, atualmente, a rotação da Lua sobre o próprio eixo e sua translação ao redor da Terra têm a mesma duração: 27 dias e 8 horas. Ou seja, para um observador terrestre é como se a Lua estivesse parada.

Porque o gelo gruda na mão?

Porque ele acaba congelando a própria umidade da mão de quem o segura, unindo-se a ela. Tanto as moléculas da água do gelo, quanto as contidas na umidade natural da mão, ficam mais próximas umas das outras, chegando a aderir – mas apenas por alguns segundos. Se você for agora ao congelador para conferir, saiba que terá mais sucesso com os cubos de gelo do freezer – que ficam a cerca de 20ºC negativos – do que com os de um congelador normal, com apenas um ou dois graus negativos. Afinal, quanto maior o frio, maior a aderência. Claro que não é só com cubos de gelo que isso acontece. Afinal, quem já não viu, em algum daqueles filmes de comédia pastelão, um sujeito prender a língua num daqueles postes cobertos de gelo, ocorrência comum em países de inverno mais rigoroso? “No caso da língua, a adesão é ainda maior, porque ela tem muito mais umidade que a mão”, diz o físico Mikiya Muramatsu, da Universidade de São Paulo (USP).

Como surgiram os nomes?

Já aconteceu com você de ver o seu nome escrito errado em algum lugar, não é mesmo? Talvez em alguma carta, inscrição, bilhete… se o seu sobrenome tem origem estrangeira, quais são os erros típicos que você já viu ou pronúncias incorretas associados ao seu nome? Isso choca qualquer um, afinal, é o seu nome, sua identificação no mundo.

Se você conhecer mais sobre a origem dos sobrenomes poderá ter ideia de onde certa família descende, no que trabalhavam ou conhecer algumas características dos ancestrais dessa família. Até onde eu li e consegui informação, os primeiros a adquirirem sobrenomes foram os Chineses. Algumas lendas sugerem que o Império Fushi decretou o uso de sobrenomes, ou nomes de famílias, por volta de 2.852 a.C. Os chineses tinham normalmente 3 nomes: o sobrenome, que vinha primeiro e era uma das 438 palavras do sagrado poema chinês “Po-Chia-Hsing”. O nome de família vinha em seguida, tirado de um poema de 30 personagens adotados por cada família.

O nome próprio vinha então por último. Nos tempos antigos os romanos tinham apenas um nome. No entanto mais tarde passaram a usar três nomes. O nome próprio ficava em primeiro e se chamava “pra e nome”. Depois vinha o “nome”, que designava o clã. O último nome designava a família e é conhecido como “cognome”. Alguns romanos acrescentavam um quarto nome, o “Agamenon”, para comemorar atos ilustres ou eventos memoráveis. Quando o Império Romano começou a decair, os nomes de família se confundiram e parece que os nomes sozinhos se tornaram costume mais uma vez. Durante a Idade Média, as pessoas eram conhecidas somente pelo nome próprio. Mas a necessidade de adicionar outro nome para distinguir as pessoas de mesmo nome ganhou popularidade. Então adicionavam alguma característica, ou função que a pessoa exercia, ou então usavam o nome do pai.

No século XI o uso de um segundo nome se tornou tão comum que em alguns lugares era considerado vulgar não ter um. Mas mesmo tendo sido o começo para todos os sobrenomes que existem hoje, grande parte dos nomes usado na Idade Média não tem a ver com a família, isto é, nenhum era hereditário. Em respeito aos nomes hereditários, isto é, os nomes que eram passados de pai para filho, é difícil dizer com exatidão quando foi que eles surgiram, pois foi uma prática que se desenvolveu com o passar de centenas de anos… O uso moderno dos nomes hereditários é uma prática que se originou lá pela aristocracia veneziana, na Itália, por volta do século X ou XI. Os exploradores, voltando das terras Sagradas e passando pelos portos da Itália (afinal, os portos da Itália eram naquela época a única maneira de ir para o Oriente, portanto tudo passava por lá… só lá pelo século XIV, XV é que iniciaram-se as famosas Cruzadas, onde então o caminho pelo Atlântico contornando a África foi ‘descoberto’), tomaram nota deste costume e o espalharam pela Europa. A França, as ilhas Britânicas, e então a Alemanha e Espanha começaram a aplicar esta prática afim de distinguir os indivíduos que haviam se tornado importantes.

Pelos anos de 1370 já se encontra a palavra “sobrenome” em documentos, nas línguas locais. O governo passou a usar cada vez mais papéis, documentos, e deixar registrados seus atos entre todo o mais. Assim cada vez mais foi importante identificar com exatidão as pessoas. Em algumas comunidades nos centros urbanos, os nomes próprios não eram mais suficientes para distinguir as pessoas. No campo, com o direito de sucessão hereditária de terras, era preciso algo que indicasse vínculo com o dono da terra, senão como os filhos ou parentes iriam adquirir a terra, já que qualquer pessoa com o mesmo nome poderia se passar por filho? Acredita-se que até o ano de 1450 a maior parte das pessoas de qualquer nível social tinha um sobrenome hereditário, fixo. Este sobrenome identificava a família, provendo assim uma ligação com o passado desta família, e preservando sua identidade no futuro. Até nem é surpresa o fato de que antigamente a prioridade das famílias era ter filhos homens, para manter o nome, afinal, os filhos homens eram quem passavam o sobrenome para as novas gerações, e era muito desgosto para uma família não ter nenhum descendente homem. No começo dos séculos XV e XVI os nomes de família ganharam popularidade na Polônia e na Rússia

Os países escandinavos, amarrados ao seu costume de usar o nome do pai como segundo nome, não usaram nomes de família antes do século XIX. A Turquia esperou até 1933, quando o governo forçou a prática de sobrenomes a ser adotado em seu povo. Os sobrenomes foram primeiramente usados pela nobreza e ricos latifundiários (senhores feudais), e pouco a pouco foram adotados por comerciantes e plebeus. Os primeiros nomes que permaneceram foram aqueles de barões e latifundiários, que receberam seus nomes a partir de seus feudos e/ou propriedades. Estes nomes se fixaram através da hereditariedade destas terras. Para os membros da classe média e trabalhadores, como as práticas da nobreza eram imitadas, começaram a usar assim os sobrenomes, levando a prática ao uso comum. É uma tarefa complicada classificar os nomes de família por causa das mudanças de ortografia e pronúncia com o passar dos anos. Muitas palavras antigas tinham significados diferentes na época, ou hoje em dia estão obsoletas. Muitos nomes de família dependeram da competência e discrição de quem os escreveu no registro.

O mesmo nome pode muitas vezes estar escrito de diferentes maneiras até mesmo em um documento só. Um exemplo: Carlos Red, que recebeu seu nome por ter cabelos vermelhos (red=vermelho, em inglês), pode ter descendentes prováveis com o sobrenome Reed, Reade, etc.

Como a borracha apaga?

De dois jeitos. Em primeiro lugar, o grafite gruda com muito mais facilidade na borracha que no papel. Se você desenhava com lápis na sua borracha quando pequeno, já realizou a experiência que demonstra esse fato. Fazendo isso, dá para perceber nitidamente que a superfície da borracha consegue reter mais grafite que as folhas do caderno. Entretanto, se o grafite ficasse preso no corpo da borracha, ela ficaria saturada rapidinho, certo? Isso não ocorre porque ela se desfaz enquanto apaga, soltando aquelas raspas – e é nelas que o grafite fica preso. Mas, se fosse só isso, sempre sobraria um pouco de grafite, já que parte dele fica impregnada na folha. Aí, a outra coisa que a borracha faz é literalmente lixar o papel.

“Por isso, a fórmula contém componentes abrasivos como pó de quartzo e talco”, diz o químico Marco Antonio Malaquias, que trabalha para um fabricante de borrachas. Esses elementos raspam a folha para tirar aquele grafite mais resistente. Mas apagar traços de caneta é bem mais difícil, porque a tinta penetra fundo nos poros do papel. Assim sendo, as borrachas de caneta trazem uma quantidade bem maior dos tais abrasivos – por isso são duras daquele jeito.

Porque o papel fica amarelo durante o tempo?

A culpa é da lignina, uma das substâncias de estrutura molecular mais complexa encontradas na natureza – e que, junto com a celulose, formam os dois componentes básicos da madeira, matéria-prima do papel. A função da lignina é dar rigidez ao tronco das árvores. Outra de suas características é que ela escurece em contato com a luz e o oxigênio, razão pela qual o papel fica amarelo com o passar do tempo. Para contra-atacar esse efeito, mais de 99% da lignina costuma ser retirada com produtos químicos durante a fabricação desse material, tentando deixar apenas a clara celulose. É por isso que produtos como o sulfite são mais caros e demoram muito mais tempo para amarelar que o papel-jornal. O caso desse último, que perde a brancura praticamente de um dia para o outro, é diferente.

“O papel-jornal é o mais barato de todos porque é feito por um processo mecânico – e não químico – , que deixa intacta a maior parte da lignina”, diz o engenheiro químico Hasan Jameel, do Departamento de Ciência do Papel e da Madeira da Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos.

O que é a Luz?

Na Bíblia, a criação começa pela luz, que inaugura o universo separando o dia da noite. É ela que nos permite enxergar o mundo e, no entanto, é quase impossível visualizar sua verdadeira natureza. Como se não bastasse, tem propriedades tão estranhas e contraditórias que confunde até os físicos mais experientes.

Até o começo do século XX, tudo indicava que a luz não passava de uma onda. Assim como o som ou o movimento do mar, ela é refletida ao encontrar algo como um espelho e sofre interferência ao cruzar com outras ondas de luz. A diferença é que a luminosidade se propaga no vácuo e não precisa ser conduzida por um meio como a água ou o ar.

Mas a concepção da luz como onda não conseguia explicar certos fenômenos, como o chamado efeito fotoelétrico: quando se emite luz contra determinados metais, observa-se que a superfície deles libera elétrons. O enigma começou a se desfazer em 1900, quando o físico alemão Max Planck publicou o primeiro estudo do que viria a ser conhecido como física quântica. Ele descobriu que os átomos não emitem energia de forma contínua, mas em minúsculas partículas chamadas quanta. Em 1905,

Albert Einstein resolveu aplicar essa teoria à luz e percebeu que, se considerássemos que ela também é feita de partículas (posteriormente chamadas de fótons), o efeito fotoelétrico estaria explicado. A física quântica chocou toda a comunidade científica ao propor que a luz é simultaneamente onda e partícula, vibração e matéria – uma ambiguidade considerada absurda, incoerente, impossível. A teoria de Planck e Einstein já foi comprovada diversas vezes em laboratório. Mas ainda resta a pergunta: afinal, a luz é uma onda ou uma partícula? A física abraçou o mistério. “Quem disser que ela é onda está certo e quem disser que ela é partícula também está.

De acordo com o experimento, a luz apresenta características de uma ou de outra”, afirma o físico Adriano Natale, da Universidade Estadual Paulista (Unesp). “Não precisamos resolver o enigma. A luz funciona com uma lógica própria, diferente da que estamos acostumados”, diz Amir Caldeira, também físico, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

O que é o gelo seco?

É a forma sólida do gás carbônico (CO2), o mesmo que sai do escapamento do seu carro, gerado pela queima da gasolina. O processo de fabricação começa com a liquefação do gás, mediante sua compressão em tanques e resfriamento até 20 graus Celsius negativos. A seguir, elimina-se bruscamente a pressão: ao expandir-se, o gás que resta no tanque libera tanto calor que o líquido se solidifica a uma temperatura de 78,5ºc negativos. Em contato com o ar, a substância desprende vapores por meio de um fenômeno conhecido como sublimação (a evaporação de um sólido sem passar pelo estado líquido). Esses vapores, parecidos com uma névoa espessa, é que são aproveitados para criar efeitos especiais no cinema, no teatro e em shows musicais.

Como ocorre o vento?

Classificados como horizontais ou verticais (ascendentes ou descendentes), os ventos se formam pelas diferenças de pressão e temperatura entre as camadas do ar. “Quando uma massa de ar com alta pressão atmosférica ou baixa temperatura se move em direção a uma região de baixa pressão, geram-se ventos verticais”, afirma o meteorologista Mário Festa, do Instituto Astronômico e Geofísico da Universidade de São Paulo. Os ventos verticais também se formam quando a camada de ar quente próxima ao solo sobe (por ser mais leve), substituída por outra fria, que desce. No caso dos ventos horizontais, o processo é semelhante: quando a massa de ar sobre uma região se aquece, ela sobe; porém, seu lugar será preenchido pelas massas de ar frio que estão na vizinhança.

Ventos verticais

Eles ocorrem quando o ar rente ao solo se aquece, fica mais leve e sobe, sendo substituído pela camada de cima

Ventos horizontais

A massa de ar quente perto do chão se eleva e é substituída pelas massas mais frias que se encontram ao lado