Como se formou a areia do mar?

Os grãos que a gente usa para brincar de “milanesa” nascem do desmanche das rochas de alguma serra próxima. É o mesmo processo que forma a areia dos rios, dunas, lagos e lagoas – e que costuma demorar milhões de anos, do desgaste de uma rocha à carona do vento ou da água dos rios até as praias. A origem geográfica da areia pode estar numa cadeia montanhosa a poucos metros ou a muitos quilômetros da praia. É o tipo de rocha dessa montanha que determina o tipo de areia em que você deita e rola no verão. “Por exemplo, aquela areia branca e fina, comum nas praias do Brasil, é composta principalmente de quartzo, mineral que vem do granito, um dos tipos de rocha mais abundantes na serra do Mar, que margeia o litoral do país”, afirma o geólogo Paulo Gianinni, da USP. O que pouca gente sabe é que, depois de figurar na paisagem praiana por milhões de anos, os grãos de areia também morrem. Tudo acontece ali na praia mesmo: empilhado pelo peso enorme das novas camadas de areia que continuamente chegam à costa, o grão desce a centenas de metros de profundidade e volta a ser pedra, formando o assoalho oceânico.
Da pedra ao póDesgaste das rochas é o primeiro passo na formação dos grãos

1. O processo de formação da areia começa com a ação do vento, da chuva, de raízes e de microorganismo sobre uma pedra, que os geólogos costumam chamar de “rocha mãe”. Em um intervalo de milhões de anos, esses agentes lixam a pedra, decompondo-a em partículas minúsculas

2. Esses “restos” de pedra caem ao redor da rocha mãe, misturando-se à vegetação. O material que vai compor a areia já está lá, mas, enquanto não mudar de endereço, ele é simplesmente um tipo de solo

3. A formação da areia segue com o transporte de solo para longe da rocha mãe. Sob a ação do vento, da gravidade e das enxurradas, essa mistura – chamada agora de sedimento – desce a ladeira montanhosa rumo a um rio

4. Pela ação da água do rio, o sedimento é “peneirado” entre argila, areia e cascalho. A argila é tão leve que fica em suspensão na água. O cascalho, maior, fica no fundo e nem chega à praia. A areia, sim, tem o tamanho ideal para ser carregada pela correnteza

5. Dependendo do caminho e da resistência do mineral de origem, os grãos podem sofrer um “amadurecimento” e chegarem menores e mais arredondados à praia. É lá que eles vão passar os próximos milhões de anos da sua vida

6. Na costa, a areia muda de lugar por causa do movimento das marés. E o mar e os rios também trazem outros ingredientes para a mistura, como conchas, algas e outros restos de animais que dão a fórmula final da areia
De grão em grãoOrigem da rocha determina cor da areia

AREIA NEGRA

TAMANHO DO GRÃO – 0,25 a 0,5 mm de diâmetro

COMPONENTE PRINCIPAL – Mica

Grãos angulosos (cheios de saliências pontiagudas e irregulares) como estes são típicos de praias de areia escura. Além de enegrecer a areia, a mica sinaliza que o local de origem da areia é uma montanha bem próxima da praia

AREIA BRANCA

TAMANHO DO GRÃO – 1 a 2 mm de diâmetro

COMPONENTE PRINCIPAL – Quartzo

Este é o tipo de areia presente em boa parte do litoral brasileiro. O fato de o grão ser arrendondado e composto de quartzo (um “subproduto” da mica) mostra que a rocha que deu a origem à areia fica relativamente distante, pois o grão já sofreu bastante desgaste

AREIA MESCLADA

TAMANHO DO GRÃO – 0,12 a 0,25 mm de diâmetro

COMPONENTE PRINCIPAL – Silício

A principal fonte mineral desta areia são os grãos irregulares e esbranquiçados de silício. Mas ela também possui muitos fragmentos de corais e algas vermelhas, que podem dar uma coloração mais forte à mistura

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Como se forma a poeira?

De várias maneiras, pois existem poeiras para todos os gostos… ou desgostos.

A formação mais comum é fácil de perceber: cortesia do vento, que está sempre levantando uma boa quantidade de partículas de terra ou areia. Mas nem sempre a coisa é tão visível assim. Quem está acostumado a fazer a faxina de casa, sabe que poeira não precisa nem de vento nem de janela aberta para invadir uma casa. A dilatação do concreto por causa do calor e de pequenas vibrações na estrutura da residência já são motivos suficientes – e imperceptíveis – para que um pouco de pó se desprenda das paredes e apareça em ambientes fechados. Restos de seres vivos ou organismos microscópicos como o ácaro também podem entrar nessa receita. Como se não bastasse, o homem ainda dá uma bela mãozinha para criar outras formas de poeira – por exemplo, ao construir indústrias que soltam, pelas chaminés, partículas sólidas no ar; ao fazer queimadas ou mesmo ao acender um simples cigarro, já que a fumaça cheia de nicotina possui partículas microscópicas, mil vezes menores que 1 milímetro.

Aliás, quando os grãos de pó são bem pequenos, tornam-se capazes de realizar incríveis travessias suspensos no ar. “Há indícios de que grandes quantidades de partículas de areia são transportadas, pelo ar, da África até a selva amazônica”, afirma o físico Cláudio Furukawa, da USP. É claro que a natureza não propicia feitos como esse apenas para infernizar a vida das pessoas. Parece estranho, mas a poeira também é essencial para a vida na Terra. As nuvens, por exemplo, não seriam possíveis sem ela. É em torno de partículas de pó que a água evaporada condensa para voltar ao solo como chuva – a mesma chuva que, depois, retira até 90% da poeira do ar para que a gente possa respirar melhor.

Como surgiram os nomes?

Já aconteceu com você de ver o seu nome escrito errado em algum lugar, não é mesmo? Talvez em alguma carta, inscrição, bilhete… se o seu sobrenome tem origem estrangeira, quais são os erros típicos que você já viu ou pronúncias incorretas associados ao seu nome? Isso choca qualquer um, afinal, é o seu nome, sua identificação no mundo.

Se você conhecer mais sobre a origem dos sobrenomes poderá ter ideia de onde certa família descende, no que trabalhavam ou conhecer algumas características dos ancestrais dessa família. Até onde eu li e consegui informação, os primeiros a adquirirem sobrenomes foram os Chineses. Algumas lendas sugerem que o Império Fushi decretou o uso de sobrenomes, ou nomes de famílias, por volta de 2.852 a.C. Os chineses tinham normalmente 3 nomes: o sobrenome, que vinha primeiro e era uma das 438 palavras do sagrado poema chinês “Po-Chia-Hsing”. O nome de família vinha em seguida, tirado de um poema de 30 personagens adotados por cada família.

O nome próprio vinha então por último. Nos tempos antigos os romanos tinham apenas um nome. No entanto mais tarde passaram a usar três nomes. O nome próprio ficava em primeiro e se chamava “pra e nome”. Depois vinha o “nome”, que designava o clã. O último nome designava a família e é conhecido como “cognome”. Alguns romanos acrescentavam um quarto nome, o “Agamenon”, para comemorar atos ilustres ou eventos memoráveis. Quando o Império Romano começou a decair, os nomes de família se confundiram e parece que os nomes sozinhos se tornaram costume mais uma vez. Durante a Idade Média, as pessoas eram conhecidas somente pelo nome próprio. Mas a necessidade de adicionar outro nome para distinguir as pessoas de mesmo nome ganhou popularidade. Então adicionavam alguma característica, ou função que a pessoa exercia, ou então usavam o nome do pai.

No século XI o uso de um segundo nome se tornou tão comum que em alguns lugares era considerado vulgar não ter um. Mas mesmo tendo sido o começo para todos os sobrenomes que existem hoje, grande parte dos nomes usado na Idade Média não tem a ver com a família, isto é, nenhum era hereditário. Em respeito aos nomes hereditários, isto é, os nomes que eram passados de pai para filho, é difícil dizer com exatidão quando foi que eles surgiram, pois foi uma prática que se desenvolveu com o passar de centenas de anos… O uso moderno dos nomes hereditários é uma prática que se originou lá pela aristocracia veneziana, na Itália, por volta do século X ou XI. Os exploradores, voltando das terras Sagradas e passando pelos portos da Itália (afinal, os portos da Itália eram naquela época a única maneira de ir para o Oriente, portanto tudo passava por lá… só lá pelo século XIV, XV é que iniciaram-se as famosas Cruzadas, onde então o caminho pelo Atlântico contornando a África foi ‘descoberto’), tomaram nota deste costume e o espalharam pela Europa. A França, as ilhas Britânicas, e então a Alemanha e Espanha começaram a aplicar esta prática afim de distinguir os indivíduos que haviam se tornado importantes.

Pelos anos de 1370 já se encontra a palavra “sobrenome” em documentos, nas línguas locais. O governo passou a usar cada vez mais papéis, documentos, e deixar registrados seus atos entre todo o mais. Assim cada vez mais foi importante identificar com exatidão as pessoas. Em algumas comunidades nos centros urbanos, os nomes próprios não eram mais suficientes para distinguir as pessoas. No campo, com o direito de sucessão hereditária de terras, era preciso algo que indicasse vínculo com o dono da terra, senão como os filhos ou parentes iriam adquirir a terra, já que qualquer pessoa com o mesmo nome poderia se passar por filho? Acredita-se que até o ano de 1450 a maior parte das pessoas de qualquer nível social tinha um sobrenome hereditário, fixo. Este sobrenome identificava a família, provendo assim uma ligação com o passado desta família, e preservando sua identidade no futuro. Até nem é surpresa o fato de que antigamente a prioridade das famílias era ter filhos homens, para manter o nome, afinal, os filhos homens eram quem passavam o sobrenome para as novas gerações, e era muito desgosto para uma família não ter nenhum descendente homem. No começo dos séculos XV e XVI os nomes de família ganharam popularidade na Polônia e na Rússia

Os países escandinavos, amarrados ao seu costume de usar o nome do pai como segundo nome, não usaram nomes de família antes do século XIX. A Turquia esperou até 1933, quando o governo forçou a prática de sobrenomes a ser adotado em seu povo. Os sobrenomes foram primeiramente usados pela nobreza e ricos latifundiários (senhores feudais), e pouco a pouco foram adotados por comerciantes e plebeus. Os primeiros nomes que permaneceram foram aqueles de barões e latifundiários, que receberam seus nomes a partir de seus feudos e/ou propriedades. Estes nomes se fixaram através da hereditariedade destas terras. Para os membros da classe média e trabalhadores, como as práticas da nobreza eram imitadas, começaram a usar assim os sobrenomes, levando a prática ao uso comum. É uma tarefa complicada classificar os nomes de família por causa das mudanças de ortografia e pronúncia com o passar dos anos. Muitas palavras antigas tinham significados diferentes na época, ou hoje em dia estão obsoletas. Muitos nomes de família dependeram da competência e discrição de quem os escreveu no registro.

O mesmo nome pode muitas vezes estar escrito de diferentes maneiras até mesmo em um documento só. Um exemplo: Carlos Red, que recebeu seu nome por ter cabelos vermelhos (red=vermelho, em inglês), pode ter descendentes prováveis com o sobrenome Reed, Reade, etc.